Por Julio Stevanelli 

hqdefaultHoje vamos falar sobre Traíras (Hoplias malabaricus), uma espécie muito esportiva e que assim como a Tilápia tem uma carne muito apreciada pelo sabor. Na hora da briga ela dá um show à parte, dando saltos, girando e fazendo com que a cada fisgada o pescador se apaixone pela espécie. Não é uma espécie ameaçada de extinção, muito pelo contrário. Encontra-se esta espécie em lagos, represas, rios e até em pesqueiros.Territorialista ao extremo e muito nervosa, ela tem a visão muito ruim. Seus horários de pesca são os mesmos dos predadores, manhã e ao entardecer. Sua pesca pode ser muito produtiva no período da noite também, dependendo dos locais.Temos várias espécies de Traíras, porém as mais conhecidas são o Trairão, podendo atingir os 20 Kg e a Traíra, chegando aos seus 4 Kg. Suas refeições em rios variam muito da época do ano, mas ela é exclusivamente carnívora. Esta espécie come desde insetos, sapos, rãs até outras espécies de peixes, por isso a maioria dos pescadores que gostam de utilizar iscas artificiais utilizam o “frog”, tipo de um sapinho de borracha.

 

EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

IMG_20160417_134906Coloquei esta espécie na pauta de hoje justamente por já ter passado alguns apuros com ela em alguns locais. Confesso que não sou muito fã do “frog”, já que uma vez mordido de jeito pela traíra a probabilidade de comprar outro é grande, o detalhe é que o preço varia de 15 R$ a 30 R$, ou seja, não é barato. Gosto de utilizar iscas artificiais de meia água que flutuam, pois fazem um trabalho mais lento, onde a traíra, não tendo a visão apurada facilmente cai, e a chance de perder a isca é menor, exceto a última vez em que fui pescar, que infelizmente ela acabou furando minha isca de meia água e fazendo com que seu trabalho fosse prejudicado.

Dos apuros que passei com a Traíra, a pior foi quando fui tirar a garateia de sua boca, na linguagem dos pescadores ela tinha “encharutado” (colocado grande parte ou toda a isca em sua boca). Manuseando o alicate erroneamente encostei demais a mão em sua boca, onde ela pôde exercer seu nome e me dar uma mordida no dedo. Só digo uma coisa deste fato: dói!

Por displicência de minha parte acabei machucando o dedo, mas foi tudo tranquilo, levei sorte que ela foi “boazinha” comigo e soltando logo. Caso tenha se preocupado, “sim, eu soltei o peixe”. Hoje utilizo alicate de contenção e apoio ela em meu colo ou mesmo na água: alicate de contenção em uma mão e alicate para tirar anzol ou garateia em outra. Mas o alicate não machuca o peixe? Se manuseado de forma errada com certeza! Uma dica? Coloque-se no lugar do peixe, talvez isso o faça entender.Há sempre formas corretas de fazer para não machucar o peixe, mas exclusivamente da Traíra, além de ter a dentição muito apurada ela ainda tem um muco que faz com que seu corpo seja muito liso, o que facilita sua fuga ou seu deslizamento das mãos. Passarei algumas dicas para algumas modalidades:

 

DICAS

1 – No barranco: Pegue o peixe com o passaguá e faça o mesmo que o famoso apresentador do Pesca Alternativa Rafinha IMG_20160501_141335Minhoca sempre fala; “Peixe próximo ao chão que seja gramado ou perto de um tapete”, que inclusive você encontra no site www.lojapescaalternativa.com.br e o solte na sequência se possível dentro do passaguá mesmo;

2 – De caiaque ou de barco: as utilizações dos alicates são indispensáveis, tanto o de contenção quanto o de bico. Após a retirada do anzol ou garatéia, erga o peixe lentamente para fora d’água com o alicate de contenção, faça sua foto e o solte;

Na opção número dois, pode-se observar que acabei citando para erguer o peixe lentamente para for d’água, pois bem, acabei escrevendo isso porque quando você ergue lentamente o peixe para fora d’água automaticamente se dá a chance do peixe se preparar para ser erguido. Usando um exemplo esdruxulo se colocando no lugar do peixe: Se nos erguessem pelo queixo desprevenidamente a probabilidade de quebrarmos o pescoço ou provocar um acidente seria grande correto? Agora se nos erguessem lentamente daria tempo para contrairmos os músculos do pescoço causando muito menos lesões. Parece que não, mas com o peixe é a mesma coisa, palavras de fontes confiáveis.

 

PRESERVAÇÃO

Como sempre falamos, não faz mal comer um peixe, o problema é a matança descontrolada que se instaurou no Brasil, onde pessoas parecem quererem acabar com tudo, causando o desperdício e automaticamente a extinção das espécies. Assim como não achávamos que acabaria água, citando o que aconteceu a cerca de um ano e meio atrás, principalmente com o estado de São Paulo, é também com os peixes. Se for matando freneticamente não dá tempo da natureza se restaurar e a extinção não só de peixes, mas como de todo um ciclo, está fadado a acabar.

Para tudo se dá um jeito, os maiores prejudicados somos nós mesmos. Não adianta reclamar dos governantes se nós continuarmos a jogar entulho nas ruas ou nos rios, se continuarmos a jogar materiais tóxicos nos esgotos, ou se continuarmos matando peixes radicalmente, sem a devida necessidade, ou seja, por pura ganância.

#aindahatempo #preservação

 

 

 

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2 thoughts on “TRAÍRA: ESPORTIVIDADE, PRESERVAÇÃO E RESPEITO

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