O turista brasileiro que viaja no feriadão ou nas férias gosta mesmo é de torrar a pele sob o sol do Litoral nordestino ou encher a mala de compras em Orlando ou ainda visitar os milhares de museus da Europa, certo? De acordo com as estatísticas do Ministério do Turismo, sim.

Porém, uma crescente parcela de viajantes tem preferido arrumar a mala com caniço, vara, entre outros apetrechos, e ter em mente um rio ou mar onde seja possível pôr em prática uma das atividades com maior potencial de expansão para o turismo brasileiro: a pesca recreativa.

Ao contrário dos Estados Unidos, cujo setor movimenta cerca de US$ 24 bilhões todos os anos e conta com 60 milhões de pescadores licenciados, o Brasil ainda engatinha no desenvolvimento de roteiros e infraestrutura para os turistas que preferem empunhar um molinete a muitos quilômetros de casa.

Apesar de não ter todo seu potencial explorado, o turismo de pesca vem crescendo no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) mostram que, entre 1996 e 2011, o número de pescadores amadores licenciados saltou de pouco mais de 134 mil para mais de 280 mil. De acordo com a Embratur, cerca de 6 milhões de pessoas pescam atualmente no País e o crescimento do setor é de 30% ao ano.

Para quem é pescador de primeira viagem, elencamos alguns dos destinos clássicos para o turista que deseja se aventurar nesse tipo segmentado de viagem, que além de belas paisagens, rende também boas histórias de pescador.

 

vista_aerea_pantanalPantanal

O destino mais conhecido para pescar no Brasil é, sem dúvida, o Pantanal.

Um clássico e meca para todos os tipos de pescadores, do iniciante ao mais experiente. No Pantanal, a pesca pode ser realizada quase que durante todo o ano, mas a temporada oficial vai de março a outubro. E é em março que começa a vazante do Pantanal, período caracterizado principalmente pela pesca do Pacu.

De acordo com turistas que visitam o destino há muitas temporadas, a pesca, nessa época do ano, pode ser feita das margens, com equipamentos mais básicos, ou em poços profundos do rio, utilizando vara e molinete.

Com a chegada da vazante, no Pantanal também é possível investir na pesca de peixes de fundo de rio, como o pintado, o dourado e o surubim. Para encontrar essas espécies, o ideal é deixar o barco fluir pela correnteza, técnica conhecida como pesca de rodada.

No decorrer do ano, a pesca fica favorável a outras espécies como o barbado, nos meses de junho e julho. Mas é em outubro, quando se encerra a temporada, que o rio mostra toda sua diversidade de espécies. É o momento em que o pescador pode praticamente escolher o que deseja pescar.

postal_2872Ita Ibaté

O turista que deseja pescar fora do Brasil deve começar pela Argentina. A cidadezinha de Ita Ibaté, a mais de mil quilômetros de Buenos Aires na província de Corrientes, é um dos lugares mais procurados no mundo para a prática.

O destino, no alto do Rio Paraná, tem peixes de grande porte e variadas espécies, entre dourados, pintados, piracanjubas e pacus.

As técnicas também são variadas, como a de rodada, fundeada, de arremesso e fly fishing, e são realizadas basicamente de embarcações de fibra de vidro. O acesso mais fácil do Brasil é por estrada, a partir de Foz do Iguaçu, distante 450 quilômetros.

Ita Ibaté tem uma grande oferta de pousadas, desde as mais simples, até as mais confortáveis, com ar-condicionado, TV a cabo e internet.

Na Argentina, também é necessária licença para a pesca e o documento emitido no Brasil não é válido no país vizinho. Porém, a maioria das pousadas, hotéis e agências especializadas em pesca recreativa dispõem de serviço de despachante.

 

conheca-santa-catarina-os-indices-sociais-do-estado-situam-se-entre-os-melhores-do-paisSanta Catarina

O pescador que já se aventurou pelos rios brasileiros pode ampliar seus horizontes embarcando em uma pesca marítima. Com a chegada do Inverno, um dos destinos mais procurados no País é o Litoral de Santa Catarina, especialmente na região da Baía de Babitonga.

Os pescadores dizem que no mar, os peixes são mais brigões, entre eles as sororocas, que habitam, principalmente o entorno de pequenas ilhas. Na mesma faixa litorânea ficam as anchovas, as bicudas e os espadas, que exigem uma técnica de pesca de fundo e uma certa paciência.

Para a pesca da bicuda é necessário um cabo de aço, pois esse peixe possui dentes afiados e é conhecido por romper facilmente as linhas.

A pesca da anchova e da bicuda concentra-se basicamente durante as primeiras horas do dia. Já a pesca do espada, além de trabalhosa e ser considerada um verdadeiro balé entre pesca e pescador, costuma entrar noite adentro.

Como um jogo de xadrez, exige movimentos de ambos os lados, e vence quem tiver maior habilidade e paciência. A pesca do espada demanda linha muito resistente e anzol de aço, devido à incrível força e resistência desse peixe.

 

downloadAmazônia

Após “estrear” no clássico Pantanal, o sonho de muito pescador é jogar o anzol nos rios amazônicos, entre eles, é claro, o Amazonas, o maior do mundo.

O tucunaré, peixe que habita os rios amazônicos, é conhecido como mais poderoso da água doce

A grandiosa e mítica floresta é o habitat do tucunaré, peixe conhecido como o mais poderoso da água doce e cujas lendas a seu respeito aguçam ainda mais o desejo de enfrentá-lo em uma dura batalha nas caudalosas águas amazônicas.

Apesar de ser uma espécie de médio porte, em algumas partes da Amazônia, esses peixes podem atingir proporções gigantescas, pesando quase 100 quilos, o que torna a pesca ainda mais atrativa.

Na região, a pesca pode ser praticada nos rios Amazonas, Negro e Solimões, além dos afluentes Padauari, Urubaxi, Aiuanã e Uneiuxi, entre outros.

A pesca na Amazônia requer um planejamento, que inclui o apoio de guias.

Apesar de estar longe dos grandes centros, a região tem opções de hospedagem que vão de pousadas bem simples a resorts cinco estrelas no meio da mata.

Há também hotéis flutuantes e até dentro de barcos, nos quais o turista permanece no rio durante toda sua estadia, desembarcando apenas na hora de tomar o avião de volta para a casa.

Existem roteiros para todos os gostos e bolsos, desde os mais rápidos de três a quatro dias, aos mais longos, de até 15 dias. Tudo irá depender de onde o turista quer chegar e quanto tempo deseja ficar.

O roteiro mais básico é o de oito dias, dos quais cinco deles são dedicados inteiramente à pesca.

 

 

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2 thoughts on “Turismo de Pesca: Quais os destinos mais procurados?

  1. francisco Renato. says:

    Muito bom documentário – explicativo e interessante – só faltou falar do potencial da baia de Paranaguá-Pr. – e Pontal do Paraná – Pr. – o que não os culpo pois embora tenhamos aqui bons lugares – não há foco de informação por parte dos interessados – gostei do conteúdo – Parabéns.

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